Memórias de um retorno ao lar…

enviada por um autor conhecido porem anonimo… quem deduzir saber, não revele!!!

Que aula chata. O professor fala demais sem querer dizer nada. Que horas são? Onze e meia? É melhor ir pegar o ônibus. Quanto eu tenho no bolso… R$ 1,20?! Definitivamente não deveria ter comido aquele cachorro no intervalo. Vou ligar para casa e avisar que vou chegar tarde. Cadê meu celular… achei… sem bateria. Que dia perfeito, voltar para casa a pé, sem celular e sem dinheiro. Pelo menos descer a Jardim Botânico com um mp3 carregado é tranqüilo.

Bem, sem mais delongas lá vou eu. Enquanto o mp3 está carregando as músicas, o que houve no dia de hoje? Tive que chegar cedo para encontrar a Berta e devolvê-la o último livro do R. A. Salvatore que peguei mês passado. A Berta sempre foi a minha principal fonte de livros e filmes. Conheço-a desde o primeiro mês de aulas, quando as provas já estavam chegando e os veteranos faziam aquele terror sobre as provas do professor Jurandir. De todas as minhas amigas daqui, é a que tenho maior respeito e consideração. Companheira de filmes B, música underground e eventos culturais no centro.

Depois… o almoço. Fui de bandejão afinal, o cardápio estava bom. Almôndegas, bife, feijão fradinho e cocada de sobremesa. A melhor cocada de tantas vezes que comi aqui… ou não. Deve ter sido…

Ai! Meus ouvidos! Não pensei que tinha deixado o som tão alto assim. O silêncio da rua em comparação com o falatório da faculdade faz diferença. Peraí? “The Summer Under the Trees”. Nem me lembrava que ainda tinha essa música aqui. Essa música sempre me lembrou da primeira vez que vi Claudia naquele luau improvisado na praia. O jeito que ela dançava enquanto dublava essa música era simplesmente gracioso.

Tinha me encontrado com ela depois nas aulas de alemão. O modo como ela se mostrou ávida por conhecimento também me fascinou. Nunca tinha visto alguém perguntar, interagir, demonstrar tanta facilidade e tanta inteligência de uma vez. Talvez esteja pensando nela de um modo muito romântico, mas todas as vezes que via aquele olhar fixo, perguntando pra mim qualquer coisa, sentia uma impressão diferente. Sempre uma impressão positiva.

Engraçado que tão rápido ela apareceu, ela sumiu. Não sei quem naquele luau a conhecia. Ninguém das aulas de alemão que encontrei depois sabe por onde anda. Grande mal das eletivas abertas a todos os cursos é a dificuldade de encontrar a turma toda. No período seguinte encontrei alguém que se parecia, porém foi pura impressão.

Como consigo viajar em meus pensamentos. Já estou no Parque Lage. Lembro-me da infância com meus vizinhos e colegas de escola. Marquinhos, Harry (que na verdade se chamava Horácio, mas ele sempre odiou ser chamado pelo nome) e Alf (cujo nome era Alfredo e sempre não perdia os episódios da série). Incontáveis dias passamos jogando video-game, jogos de tabuleiro e altas peladas com a turma do prédio. Bons tempos aqueles.

Lembro-me, em especial, de um passeio que fizemos no parque com o pai do Alf e o meu em que nossas mães nos vestiram com tantas roupas, passaram repelente contra mosquitos e outras coisas inerentes ao instinto maternal de proteger os filhos contra qualquer perigo. Chegando lá, a primeira coisa que nossos pais disseram foi “podem ficar só de short e divirtam-se”.

Inesquecível ter visto a cara de horror das mães ao ver que seus queridos filhos estavam todos ralados, sujos e com algumas picadas de mosquito. Cara essa que mudou para uma expressão de total satisfação ao ver os sorrisos estampados nos nossos rostos. Mãe é assim, não se pode mudar.

Hã? Já estou na porta de casa. Essa caminhada foi mais curta do que eu pensei. A única coisa que me resta agora é abrir a porta, abrir o sorriso e dizer “oi mãe, cheguei”.

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