Se bochechar, não dirija!

Fonte: http://odia.terra.com.br/rio/htm/se_bochechar_nao_dirija_181265.asp

Se bochechar, não dirija

Teste feito por O DIA mostra que bafômetro detecta quantidades ínfimas de álcool no organismo. Até quem usar anti-séptico bucal está sujeito à Lei Seca, mas bombom de licor ‘passa’ na prova

Rio – Todo cuidado é pouco: teste feito por O DIA comprovou que mesmo quem nunca bebe nem uma gotinha de álcool pode ser enquadrado na lei de tolerância zero ao volante. Até anti-séptico bucal é detectado pelo bafômetro. Mas o licor que recheia um par de bombons não é suficiente para que o aparelho registre a substância.

Uma semana após a entrada em vigor da nova legislação de trânsito, O DIA foi às ruas da cidade com bafômetros descartáveis (etilotestes químicos) e conferiu também o consumo do chope garotinho (200 ml), uma taça de vinho e a tradicional caipirinha. Todos os três resultados foram positivos, ou seja, quem beber um dos três e dirigir está sujeito à multa de R$ 955 e à suspensão da habilitação por um ano.

O chope foi o que registrou o menor índice. O vinho — mesmo ingerido na hora do almoço junto com a comida — e a caipirinha atingiram o equivalente a seis decigramas de álcool por litro de sangue. Acima disso, o motorista pode também ser preso.

“Acho um absurdo esse resultado. Só tomei uma taça de vinho! Não me sinto mal para dirigir”, revoltou-se o maître Angelo Chiocca, 40 anos, que defende que lei seja severa só para quem ingere maior quantidade. O professor de capoeira Christian Lacerda, 31, se surpreendeu ao saber que se tomar só um chope garotinho e pegar o carro poderá ser punido: “Não poderemos beber nem um copinho pequeno?”

A maior surpresa foi o anti-séptico bucal. Sua fórmula contém álcool, identificado em teste feito logo após o bochecho. “É o que chamamos de falso positivo, pois a pessoa não ingeriu álcool. A substância estava só na mucosa bucal”, explica Fernando Pedrosa, consultor da nova lei e que acompanhou os testes.

O fiscal de salão Leandro Silva de Melo, 29, repetiu o teste 10 minutos depois e menor quantidade foi registrada. “Se é lei, temos que respeitar, mas é dose”, brincou. Em casos assim, será necessário explicar ao PM a razão do resultado. Para evitar o “falso positivo”, a lei admite o consumo que resulte em até dois decigramas de álcool por litro de sangue. Essa será a referência até que o Conselho Nacional de Trânsito regulamente a questão.

A estudante Mariana Kawassaki, 20, que provou os bombons de licor, não crê que a lei vá pegar. “Ela é inadequada, pois em cada pessoa uma mesma quantidade de álcool tem resultado diferente”. O turista argentino Daniel Rugna, 46, que fez o teste com caipirinha, aplaude a iniciativa: “Não podemos passar a mão na cabeça de quem bebe e dirige”.

O bafômetro descartável usado no teste é fabricado pela Contralco e credenciado pelo Departamento Nacional de Trânsito. Ele não é tão preciso quanto um etilômetro, mas detecta a presença de álcool e registra se foi menor ou maior do que 6 decigramas por litro de sangue.

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